Ásia, Diversos, Tailândia

Meu amigo tigre: a beleza contraditória do Tiger Temple

17 maio 2014
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***Atenção: O Templo está fechado desde o final de maio, quando teve início uma força-tarefa para retirar todos os tigres do templo. *** 

Oi gente, tudo bem?
Hoje volto a falar sobre a minha programação pela Tailândia e Camboja. Para marcar o retorno começo falando sobre o Templo dos Tigres, um local em que você pode chegar (muito) perto dos animais.

O Tiger Temple fica na região de Kanchanaburi, no oeste da Tailândia e atrai milhares de turistas todos os anos. Isso porque é possível tirar fotos com os tigres, literalmente! Eu confesso que fiquei confusa e até hoje não sei dizer se o Templo é isento ou não. Mas explicarei isso ao longo do post.

O templo funciona assim: Você paga para entrar, para tirar uma foto geral e paga um pouco mais para tirar foto com o Tigre deitadinho no seu colo. Segundo a instituição, toda renda é revertida para o cuidado com os animais e para a manutenção geral do templo.

Tícket de entrada no Templo. Eles se isentam de qualquer culpa em caso de acidente

Tícket de entrada no Templo. Eles se isentam de qualquer culpa em caso de acidente

Esse templo é famoso há décadas, quando filhotes de tigres que tiveram suas mães caçadas e mortas foram deixados no local. A matança desse tipo de animal era comum para extrair dentes e as peles para revenda. Ao longo do tempo, o Templo foi ficando conhecido entre os moradores e vários outros filhotes foram sendo abandonados lá para serem cuidados pelos monges. Hoje cada monge “adota” seu tigre e cuida dele até que um dos dois morra e os tigrinhos que nasceram no Templo continuam lá.

Ao entrar no espaço do Templo, você recebe um pequeno treinamento de como se comportar ao lado dos tigres. Nada de roupa colorida ou que chame muito a atenção. E claro, nada de ser engraçadinho e pular, saltitar ou puxar o rabo do gatinho. Coisas óbvias, mas que precisam ser lembradas no caso dos turistas mais malas.

Segundo um dos monges do Templo, os tigres ficam presos duas horas por dia e é nesse tempo que você pode vê-los de perto. É preciso enfrentar uma fila e quando for sua vez, dois monitores te acompanham pelo tour. Cada um segura em uma das suas mãos e te deixa em frente ao tigre e te posiciona, um terceiro fica com sua câmera para fazer a foto e assim você vai chegando perto de cada um dos animais.

Eu, e a fera mais dócil!

Eu, e a fera mais dócil!

Mas, caso você queira uma foto mais próxima com os tigres, é preciso pagar a mais (cerca de mil bahts). Neste segundo tour, novamente você é guiado pelos monitores e eles colocam os tigres literalmente no seu colo. É meio contraditório, mas não vou negar que é muuuuito emocionante, sim!

Eu fiquei completamente hipnotizada e me senti muito segura. Eu fiz carinho em todos e um deles reclamava (do tipo, grunhia bem alto) quando eu parava de fazer cafuné. Até o monge responsável se encantou (ou se preocupou – não sei) e foi lá perto ver.

É com base nisso que afirmo que, ao menos no dia em que estive lá, nenhum dos Tigres que “conheci” estava sedado. Eles estavam ativos, brincando, quando o monge dava um “comando” ele deitava no colo. Apenas um dormia.

Olha a cara de "Hi, ferrou!" do monge!

Olha a minha cara de susto com o roar do tigre e a expressão de “Hi, ferrou!” do monge!

Filhotes
Conforme os tigres foram se reproduzindo, as crias continuaram no local e por isso também é possível acompanhar a rotina dos filhotes. Mas, para isso é preciso chegar cedo ( do tipo, de manhã) no Templo. Como eu peguei o pior combo de passeio do mundo, perdi de ver os tigres bebês. Se você é do tipo que faz questão de brincar com o tigrinhos, vá primeiro ao Templo e depois faça o restante da programação.

Todos os tigres ficam acompanhados de monitores. É (aparentemente) bem seguro.

Todos os tigres ficam acompanhados de monitores. É (aparentemente) bem seguro.

E aí, os Tigres são dopados ou não???
A minha resposta para essa pergunta é um sonoro e sincero: Não sei! Eu, pessoalmente, não vi nenhum animal sendo maltratado. Todos aparentavam estar dentro do peso e nenhum sob situação de stress (Vamos combinar que é fácil perceber se um tigre tá estressado o.O).

No Templo há muitos voluntários de várias partes do mundo – jovens, principalmente. Conversei longamente com um dos monges e com uma voluntária.  A garota com quem falei estava treinando um filhote e ela me explicou que todos os animais possuem horários para comer, brincar, dormir e tudo com supervisão.

Como disse acima, todos os tigres estavam bem acordados e ativos. Ao contrário do zoo de Luján, (não conheço, falo com base em fotos que vi), onde os animais mal conseguem abrir os olhos, no templo os tigres brincavam o tempo todos com seus tutores e quando recebiam os comandos imediatamente ficavam quietinhos e deitavam no colo.

Eu fui, me encantei sim com os tigres, não vi nenhum que pudesse estar dopado, mas a verdade é que acredito que o Ibama jamais permitiria esse tipo de local aqui no Brasil e isso por si só já é um sinal de alerta.

 

A voluntária e seu "bichinho".

A voluntária e seu “bichinho”.

Ok, Iara, mas por que você foi, então?

Durante minhas pesquisas para viajar pela Tailândia vi pessoas falando bem e mal da instituição. Petições pediam o fechamento do templo e muitas outras lutavam para que o local continuasse aberto. Fui, é encantador ver esses animais, mas indicaria para quase ninguém.

Eu poderia simplesmente não ter nem escrito um post sobre o Tiger Temple, mas exponho minha opinião abertamente no blog por achar que é importante demais as pessoas saberem e tirarem suas próprias conclusões.

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5 comentários em "Meu amigo tigre: a beleza contraditória do Tiger Temple"
  1. Rogéria   •   02/08/15   •   13h50

    Olá Iara, viajo para a Tailândia em setembro e descobri seu site.
    Estou “viajando! nele!
    Parabéns!

    • Iara Vilela   •   02/08/15   •   14h23

      Obrigada, Rogéria!! Espero estar te ajudando! ??

  2. Midori   •   31/08/15   •   06h52

    Estou indo mes que vem. Adorando seus relatos! Com certeza quero minhas fotos com os tigres fofos!

    • Iara Vilela   •   31/08/15   •   18h35

      Oii Midori, tudo bem?
      Vá na parte da manhã que você consegue pegar o momento de recreação dos filhotes. Eu cheguei atrasada! :(
      Boa viagem!

  3. sandra   •   03/10/15   •   21h09

    Ola, Iara

    voce lembra o valor da entrada e para tirar fotos?

    obrigada desde ja